29 Maio 2011

Programação de Junho de 2011

No Cineclube Consciência deste mês, serão exibidos filmes de realizadores em sua maioria da região de Jundiaí. Essa programação é sujeita a alterações, já que aceitamos contatos posteriores de produtores independentes.

Ao final de todas as sessões, haverá uma conversa com os realizadores.
O Consciência é realizado todos os sábados, às 19h, no Auditório da FATEC (ao final do texto, veja como chegar). As sessões são gratuitas e não há necessidade de reservar lugar.

4/6: Apé Produções

Sambei no Show do Chico
DURAÇÃO: 5min
DIREÇÃO E ROTEIRO: Rafael Botas
A rotina de um fã às vésperas do show de seu maior ídolo, Chico Buarque. Após somar todas moedas do seu orçamento, o campeão de video games Coe é impossibilitado de ver o show do grande astro, pois está preso a uma cadeira de rodas que o impede de se locomover e chegar a tempo no grande show.

Hilariante Morbidez
DURAÇÃO: 15 min
DIREÇÃO E ROTEIRO: Rafael Botas
Armando é um cabeleireiro de 35 anos sexualmente reprimido. Despreza sua mulher, sua esposa e fantasia relações sexuais por mulheres desconhecidas, também alimenta um desejo doentio por sua irmã. O filme é uma dura crítica a uma sociedade cada vez mais apelativa e conservadora.

Os Pés de Madeira e a Saga do Bigode
DURAÇÃO: 5min / Animação
DIREÇÃO E ROTEIRO: Rafael Botas
Numa cozinha inusitada, uma cadeira engraçadinha e uma mesa deprimida conversam sobre suas vidas e vícios.

Na Era do Obama até Copo é Americano
DURAÇÃO: 4 min
DIREÇÃO E ROTEIRO: Rafael Botas
Uma violenta briga entre um patriota e dono de um bar devido a utilização de copos americanos pra servir de cafés brasileiros.

Paulinho
DURAÇÃO: 25min
DIREÇÃO E ROTEIRO: Josiane Zaccarelli / Rafael Botas
Amarrado e amaldiçoado pelo amor e pela sinceridade. Baseado em fatos reias, o filme retrata a história de um anão - músico e poeta - de 50 anos que se apaixona por uma boneca de pano feita pela mãe. Um namoro lúdico e lúcido; o desejo que superou a respiração.

Mil Horas de Piano
DURAÇÃO: Trailer de Longa-metragem - 5min
DIREÇÃO: Josiane Zaccarelli - Rafael Botas - Thiago Oliveira
Emoções que levam a ações. Ações que não passam de soluções lúdicas, momentâneas, provocativas e provisórias. O filme pretende abordar, interrogar, discutir, instigar, investigar e refletir, as possíveis respostas para as perguntas que jamais serão solucionadas. Verdades absolutas revistas e repensadas a cada nova geração.


11/6: São Paulo Railway - Marcelo Müller 

 124, jovens em conflito com a lei
REALIZADOR: Ivens Diaz
DURAÇÃO: 30min
O documentário traz o debate da importância da sociedade na ressocialização do jovem em conflito com a lei e o papel da família nesse processo.

18/6:  Um rio no quintal

REALIZADORAS: Raquel Loboda Biondi (Jundiaí) e Natália Contesini (Atibaia)
DURAÇÃO: 26min
ANO: 2009

Trabalho de conclusão de curso (TCC) do curso de Jornalismo da Puc-SP (São Paulo). O filme também já foi exibido pela TV Cultura, no programa Campus, em agosto de 2010.

No Pantanal Sul-Matogrossense, o cotidiano e a vida de um único personagem refletem a possibilidade de histórias distintas, existentes em qualquer contexto ou lugar.

“Um rio no quintal” é a realidade de Seu Aristeu, nascido em Coxim – MS, pescador, curandeiro e pirangueiro. O documentário acompanha e registra seu modo de vida, pacato e simples, seu gosto pela roça, sua preferência pelo mato e o estranhamento pela cidade.

São características naturais diante de um ritmo e hábito não inseridos na sociedade contemporânea e justamente por isso contemplam um novo sentido, novos olhares pelo outro e por ambientes diversos.

As imagens seguem o ritmo dos afazeres de Seu Aristeu, pelas belas paisagens, pelos rios e se revelam por uma produção experimental.


25/6: O Parque encantado

GÊNERO: Documentário
DURAÇÃO: 65 min.
DIREÇÃO E ROTEIRO: Wagner Pereira dos Santos
MONTAGEM E EDIÇÃO: Rodrigo Tangerino
TRILHA SONORA: QG IMPERIAL
PRODUÇÃO: LESO VÍDEO FILMES

Nos últimos três anos, os alunos escola Georgina, apresentaram resultados positivos, principalmente nas manifestações culturais. Essa movimentação provocou o despertar dos gestores, coordenadores e professores da escola e o questionamento da alteridade cultural do bairro. Dessa forma, foi possível descobrir o trabalho comunitário articulado com a escola e suas potencialidades nas riquezas naturais, materiais e imateriais. Através de um resgate de memória social, os moradores antigos contam a trajetória do bairro e as manifestações que constituem suas identidades. Além de provocar uma interação maior entre educando e educador, proporciona e a valorização da história local e o respeito à diversidade.



Auditório FATEC - Av. União dos Ferroviários, 1760 Jundiaí/SP, prédio ao lado do POUPATEMPO (entrada pelo local). Para chegar, de carro, ao prédio do auditório onde são realizadas as sessões, basta passar em frente ao galpão onde ficam os carros de carnaval e entrar à esquerda em uma ruazinha estreita. Em frente a esta rua fica às vezes uma placa de "proibido entrar" - não tem problema, entre assim mesmo.






28 Maio 2011

AS VITRINES E O CINEMA, TEXTO DE ALBERTO URBINATTI

As vitrines e o cinema

No contexto do que tem sido falado nos últimos anos sobre o sumiço dos “cinemas de calçada” e a migração de muitos deles para o interior dos shoppings, uma coisa é fato: se o shopping pode ser um “ato de ir ao comércio” ou mesmo um “centro comercial”, o cinema tem se transformado em mais uma mercadoria de vitrine, das mais caras e, muitas vezes, das mais banais.
Essa questão se mostra bastante complexa, por isso, proponho apenas uma direção do debate. Em primeiro lugar, sugiro a existência de dois processos de deslocamento do cinema: o primeiro é essedeslocamento físico, ou seja, aquele em que o cinema muda de local; o segundo, talvez oculto, é o deslocamento perceptivo, aquele que diz respeito a uma mudança do “ritual” ou do “clima” de assistir a um filme. Ambos, portanto, seriam interdependentes e contribuiriam para a configuração do cinema-mercadoria de vitrine.
A interdependência se revela no trajeto até o filme. Parece haver um processo de legitimação da tensão entre ir ao cinema ou ir ao shopping para ir ao cinema. Já se torna difícil separar esses dois atos. Da mesma forma, não é simples dissociar o consumo do cinema como mercadoria ou como arte em si. Mas, e aqueles que ainda se esforçam para resistir a esses deslocamentos e encarar o cinema como arte em si?
Em Jundiaí, ainda não se discute efetivamente esse processo aqui apresentado; no entanto, a resistência dos cineclubes nos responde na prática a essa questão. O Cineclube Consciência, o Cineclube na Cidade e o Cineclube Cinergia, dentre outras iniciativas, estão aí para serem ocupados por nós – sem dependermos da compra de ingresso. Pois, tudo leva a crer que essas são as possibilidades que temos para apressar o passo em frente à vitrine do cinema-mercadoria e contornar a imposição dos deslocamentos.

01 Maio 2011

Programação de Maio de 2011

Maio no Cineclube Consciência: Cinefilia Francesa


A partir da ideia do livro do crítico e historiador Antoine de Baecque, Cinefilia, o cineclube traz um mês sobre o período do cinema francês e mundial que vai do pós-guerra (1944), com o surgimento de inúmeros cineclubes e a descoberta de diversas obras na França, até maio de 1968, quando a política torna-se ainda mais presente entre críticos e cineastas.


Nesse período, surgem teóricos importantes, como André Bazin, um dos pais-fundadores da revista Cahiers du Cinéma. Foi sob a influência de suas ideias a respeito do cinema, fundadas no realismo, que mais tarde os críticos dessa revista se tornariam cineastas e fundariam o movimento nouvelle vague. São nomes como François Truffaut, Jean-Luc Godard e Éric Rohmer.


A cinefilia é um momento em que o cinema é entendido como religião (portanto, objeto de culto e não um mero divertimento), sem interferências políticas e em espaços – como os cineclubes e as publicações – onde se discutia profundamente a sétima arte. Nesse período, cineastas antes considerados “malditos” ou mesmo comerciais são elevados à categoria de “autor” pelos franceses. São diretores como Alfred Hitchcock e Orson Welles. Além disso, os membros da cinefilia não deixam de reverenciar mestres como Renoir, Vigo e Rossellini (cujo cinema neorrealista surge justamente no final da Segunda Guerra Mundial).

(Rafael Amaral)


Programação


Dia 7: Bob, o Jogador, Jean-Pierre Melville
(França, 1955)
Título Original: Bob, le Flambeur
Duração: 98 min. / p&b
Gênero: Drama / policial.
Classificação indicativa desconhecida


Antes da nouvelle vague, o diretor Melville (que emprestou o sobrenome do escritor de Moby Dick) realiza um filme de assalto dentro da França, sobre um homem de meia-idade que não encontra seu caminho à redenção. O filme é realizado em ambientes reais e traz como protagonista Bob Montagne (Roger Duchesne), um velho apostador vivendo em um mundo de bandidos e mulheres jovens, todos pouco confiáveis. Em um contexto histórico, o filme de Melville está em um rito de passagem. Ao mesmo tempo, não é uma obra do movimento nouvelle vague, mas passa a ser reverenciada por seus cineastas. Não por acaso, Melville faz uma ponta em Acossado, um dos marcos iniciais do movimento.




Dia 14: Viver a Vida, de Jean-Luc Godard
 (França, 1962)
Título original: Vivre sa vie
Duração: 80 min. / p&b
Gênero: Drama
Classificação indicativa desconhecida


O rosto da atriz Anna Karina, na época de Viver a Vida, era tão cultuado pelo público cinéfilo quanto foi, em outros tempos, o de Louise Brooks em A Caixa de Pandora. No filme de Godard, ela é Nana, uma prostituta em uma obra episódica, que constrói um retrato sobre a mulher e seu tempo em pequenas histórias. Assim, e como em outras de suas obras, Godard mescla a violência urbana à diversão tão característica de filmes que visavam apenas o entretenimento. Mas em Godard a forma torna-se mais importante, em uma época em que mostrava um espírito livre (antes de filmes politizados como A Chinesa). Karina, como Jean Seberg e Jeanne Moreau, é uma das musas da nouvelle vague.




Dia 21: A Religiosa, de Jacques Rivette
(França, 1966)
Título original: Suzanne Simonin, la Religieuse de Diderot
Duração: 136 min. / cor
Gênero: Drama
Classificação indicativa desconhecida


Lançado em 1966, o filme ficou mais lembrado por sua censura do que pelo conteúdo. Considerado um dos três pilares que levaram ao fim do período da cinefilia (os outros dois são o fechamento da Cinemateca Francesa e o maio de 1968), o trabalho de Rivette fez, à época, uma dura crítica às instituições religiosas do século 18. Ele apresenta a história de uma freira (também vivida por Anna Karina) que é torturada em um convento, justamente por desejar a liberdade. Mais tarde, ela é assediada por outra freira. As amostras de um relacionamento entre duas mulheres não foram bem recebidas pelo governo do general De Gaulle, que pediu a interdição da obra. O caso gerou protestos de críticos e cineastas como Godard e ajudou a fomentar a revolta da comunidade cinematográfica com as políticas da França.



Dia 28: Os Sonhadores, de Bernardo Bertolucci
(Inglaterra, Itália, França, 2003)
Título original: The Dreamers
Duração: 115 min. / cor
Gênero: Drama
Inadequado para menores de 16 anos

Italiano, Bertolucci começou a fazer cinema e se embrenhar no mundo das artes no início dos anos 1960. Influenciado por Pier Paolo Pasolini, ele também chegou a escrever poesias. Como muitos jovens de seu tempo, foi tocado pelo cinema francês, que servia de influência a muitos outros artistas do mundo (como na Inglaterra e, mais tarde, nos Estados Unidos). Décadas depois, o cineasta faria sua homenagem à cinefilia e à liberdade francesa do período, aos jovens que sonhavam com o cinema e não cansavam de discuti-lo – em meio a descobertas sexuais e políticas. Bertolucci leva seu filme da paixão pelo cinema aos movimentos do maio de 1968, época histórica em que se passa Os Sonhadores.



 


Auditório FATEC - Av. União dos Ferroviários, 1760 Jundiaí/SP, prédio ao lado do POUPATEMPO (entrada pelo local). Para chegar, de carro, ao prédio do auditório onde são realizadas as sessões, basta passar em frente ao galpão onde ficam os carros de carnaval e entrar à esquerda em uma ruazinha estreita. Em frente a esta rua fica às vezes uma placa de "proibido entrar" - não tem problema, entre assim mesmo.