01 maio 2011

Programação de Maio de 2011

Maio no Cineclube Consciência: Cinefilia Francesa


A partir da ideia do livro do crítico e historiador Antoine de Baecque, Cinefilia, o cineclube traz um mês sobre o período do cinema francês e mundial que vai do pós-guerra (1944), com o surgimento de inúmeros cineclubes e a descoberta de diversas obras na França, até maio de 1968, quando a política torna-se ainda mais presente entre críticos e cineastas.


Nesse período, surgem teóricos importantes, como André Bazin, um dos pais-fundadores da revista Cahiers du Cinéma. Foi sob a influência de suas ideias a respeito do cinema, fundadas no realismo, que mais tarde os críticos dessa revista se tornariam cineastas e fundariam o movimento nouvelle vague. São nomes como François Truffaut, Jean-Luc Godard e Éric Rohmer.


A cinefilia é um momento em que o cinema é entendido como religião (portanto, objeto de culto e não um mero divertimento), sem interferências políticas e em espaços – como os cineclubes e as publicações – onde se discutia profundamente a sétima arte. Nesse período, cineastas antes considerados “malditos” ou mesmo comerciais são elevados à categoria de “autor” pelos franceses. São diretores como Alfred Hitchcock e Orson Welles. Além disso, os membros da cinefilia não deixam de reverenciar mestres como Renoir, Vigo e Rossellini (cujo cinema neorrealista surge justamente no final da Segunda Guerra Mundial).

(Rafael Amaral)


Programação


Dia 7: Bob, o Jogador, Jean-Pierre Melville
(França, 1955)
Título Original: Bob, le Flambeur
Duração: 98 min. / p&b
Gênero: Drama / policial.
Classificação indicativa desconhecida


Antes da nouvelle vague, o diretor Melville (que emprestou o sobrenome do escritor de Moby Dick) realiza um filme de assalto dentro da França, sobre um homem de meia-idade que não encontra seu caminho à redenção. O filme é realizado em ambientes reais e traz como protagonista Bob Montagne (Roger Duchesne), um velho apostador vivendo em um mundo de bandidos e mulheres jovens, todos pouco confiáveis. Em um contexto histórico, o filme de Melville está em um rito de passagem. Ao mesmo tempo, não é uma obra do movimento nouvelle vague, mas passa a ser reverenciada por seus cineastas. Não por acaso, Melville faz uma ponta em Acossado, um dos marcos iniciais do movimento.




Dia 14: Viver a Vida, de Jean-Luc Godard
 (França, 1962)
Título original: Vivre sa vie
Duração: 80 min. / p&b
Gênero: Drama
Classificação indicativa desconhecida


O rosto da atriz Anna Karina, na época de Viver a Vida, era tão cultuado pelo público cinéfilo quanto foi, em outros tempos, o de Louise Brooks em A Caixa de Pandora. No filme de Godard, ela é Nana, uma prostituta em uma obra episódica, que constrói um retrato sobre a mulher e seu tempo em pequenas histórias. Assim, e como em outras de suas obras, Godard mescla a violência urbana à diversão tão característica de filmes que visavam apenas o entretenimento. Mas em Godard a forma torna-se mais importante, em uma época em que mostrava um espírito livre (antes de filmes politizados como A Chinesa). Karina, como Jean Seberg e Jeanne Moreau, é uma das musas da nouvelle vague.




Dia 21: A Religiosa, de Jacques Rivette
(França, 1966)
Título original: Suzanne Simonin, la Religieuse de Diderot
Duração: 136 min. / cor
Gênero: Drama
Classificação indicativa desconhecida


Lançado em 1966, o filme ficou mais lembrado por sua censura do que pelo conteúdo. Considerado um dos três pilares que levaram ao fim do período da cinefilia (os outros dois são o fechamento da Cinemateca Francesa e o maio de 1968), o trabalho de Rivette fez, à época, uma dura crítica às instituições religiosas do século 18. Ele apresenta a história de uma freira (também vivida por Anna Karina) que é torturada em um convento, justamente por desejar a liberdade. Mais tarde, ela é assediada por outra freira. As amostras de um relacionamento entre duas mulheres não foram bem recebidas pelo governo do general De Gaulle, que pediu a interdição da obra. O caso gerou protestos de críticos e cineastas como Godard e ajudou a fomentar a revolta da comunidade cinematográfica com as políticas da França.



Dia 28: Os Sonhadores, de Bernardo Bertolucci
(Inglaterra, Itália, França, 2003)
Título original: The Dreamers
Duração: 115 min. / cor
Gênero: Drama
Inadequado para menores de 16 anos

Italiano, Bertolucci começou a fazer cinema e se embrenhar no mundo das artes no início dos anos 1960. Influenciado por Pier Paolo Pasolini, ele também chegou a escrever poesias. Como muitos jovens de seu tempo, foi tocado pelo cinema francês, que servia de influência a muitos outros artistas do mundo (como na Inglaterra e, mais tarde, nos Estados Unidos). Décadas depois, o cineasta faria sua homenagem à cinefilia e à liberdade francesa do período, aos jovens que sonhavam com o cinema e não cansavam de discuti-lo – em meio a descobertas sexuais e políticas. Bertolucci leva seu filme da paixão pelo cinema aos movimentos do maio de 1968, época histórica em que se passa Os Sonhadores.



 


Auditório FATEC - Av. União dos Ferroviários, 1760 Jundiaí/SP, prédio ao lado do POUPATEMPO (entrada pelo local). Para chegar, de carro, ao prédio do auditório onde são realizadas as sessões, basta passar em frente ao galpão onde ficam os carros de carnaval e entrar à esquerda em uma ruazinha estreita. Em frente a esta rua fica às vezes uma placa de "proibido entrar" - não tem problema, entre assim mesmo.






Um comentário:

viviane disse...

Parabéns pela programação!